Cattleya intermédia
Proposta de Classificação das Variedades
Por
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005
Cattleya intermedia Graham ex Hooker

C. intermedia “Princesa Diana”
Classificação das Variedades
Proposta
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005
Introdução
Um sistema de classificação de orquídeas deve ter critérios claros, bem definidos e de fácil entendimento, mesmo para iniciantes nessa arte.
Nas exposições de C. intermedia, sempre foi e ainda é comum encontrarmos plantas classificadas erroneamente e pessoas com dificuldade de entendimento das diferenças das variedades.
O presente trabalho é uma proposta de classificação, tendo como base o Regulamento da FGO (Federação Gaúcha de Orquidófilos.), para a Cattleya intermedia Graham ex Hooker.

C. intermedia “Figueirinha II” Figura 01: Labelo da C. intermedia
Uma das premissas deste trabalho é a simplificação, de modo a tornar fácil o entendimento da classificação das variedades, condição básica para que iniciantes entendam e tomem gosto pela arte de cultivar e colecionar orquídeas.
Desse modo algumas variedades, com diferenças sutis, foram agrupadas, como no caso das variedades “suave” e “lilasina” cuja diferença está apenas na tonalidade da cor rosa do labelo, tornando difícil, senão impossível diferenciar determinadas flores. Na mesma linha, tentamos sistematizar as características que definem flores pelóricas e suas descendentes, outra fonte de intermináveis discussões.
Além disso, não consideramos como variedade a simples mudança de cor de algumas variedades, como as orlatas vinicolores, as marginatas cerúleas, as flâmeas frezinas, etc..
Como a forma sempre tem predominância sobre o colorido, entendemos que essas flores devem se encaixar nas variedades de forma do colorido, ou seja, continuam sendo “orlatas”, marginatas e flâmeas, independente do colorido.
Quanta às variedades de forma dupla como as flâmeas orlatas, aquiniis marginatas, etc., consideramos que devem ser classificadas pela forma da flor, a qual deve ter predominância sobre a forma do colorido, isto é, continuam sendo flâmeas, aquiniis, etc., independente do colorido e da forma do colorido.
Deve-se entender que o conceito de “variedade” usado neste trabalho é horticultural, usado e aceito por orquidófilos e colecionadores de orquídeas. Não é o conceito botânico.
Sugerimos três
categorias para a classificação da C. intermedia. Cada categoria contém as
variedades agrupadas por alguma característica comum, totalizando 26 variedades:
I) categoria I –
pela forma da flor; (4 variedades)
1) pelórica
2) aquinii
3) flâmea
4)
bergeriana
II) categoria II
– pelo colorido da flor; (12 variedades)
1) tipo
2) bordô
3) cerúlea
4) fresina
5) lilasina
6) roxo-bispo
7) semi-alba
8) vinicolor
9) alba
10) concolor
11) rubra
12)
sangüínea
III) categoria
III – pela forma do colorido da flor (10 variedades)
1) albescens
2) puntata
3) maculata
4) orlata
5) marginata
6) multiforme
7) oculata
8) pseudo-tipo
9) striata
10) venosa
As categorias I e III são variedades independentes do colorido da flor, as flores dessas categorias podem ter qualquer cor.
A categoria II
é totalmente dependente do colorido da flor.
A forma da flor tem predominância sobre a forma do colorido que por sua vez tem
predominância sobre o colorido. Por exemplo: flor “flâmea orlata vinicolor”
pertence à variedade “flâmea”.
Quando houver dupla forma do colorido, como por exemplo, puntata orlata, a forma
de colorido das pétalas e sépalas deve ter predominância sobre a forma de
colorido do labelo.
Categoria I — variedades classificadas pela forma da flor
São as plantas com alterações na morfologia da flor, aquelas que fogem da estrutura da flor tipo com três sépalas, duas pétalas e um labelo nas formas normais.
Essas variedades derivam da flor trilabelóide onde as pétalas normais são substituídas por outras na forma de labelo aberto (fenômeno semelhante ocorre com a substituição do labelo por uma pétala gerando as chamadas tripetalóides, mais raras nas Cattleyas bifoliadas.)
Com a transformação das pétalas em labelos abertos, essas tendem a imitar o mesmo tanto em forma quanto em colorido e posição na flor. Com a diminuição da influência do labelo nas pétalas, através de cruzamentos com flores tipo, por exemplo, formaram-se as outras variedades que nada mais são do que trilabelóides com dominância decrescente do labelo. Tecnicamente são formas de flores diferentes, mas vamos chamar de variedades para simplificação do assunto.
Todas essas variedades são independentes do colorido. O que as caracteriza é a forma.
(Para uma melhor discussão do assunto, ver o ANEXO 1.)
Assim, esta categoria inclui do grau mais forte de dominância do labelo, para o mais fraco, as variedades:
1) pelórica
2) aquinii
3) flâmea
4) bergeriana
1) pelórica - pétalas, sépalas e lobos laterais do labelo de qualquer cor. Caracteriza-se pela convexidade das pétalas em maior grau e um estrangulamento no terço terminal das mesmas com nítida separação (corte) dos lobos laterais e frontal, imitando fortemente a forma do labelo.
Inclui as
verdadeiras pelóricas, ou seja, aquelas flores que têm simetria radial. Poucas
plantas entram nessa categoria e ela inclui as “trilabelos” e as “tripétalas” de
qualquer colorido.
Exemplos:

C. intermedia var. pelórica C. intermedia var. pelórica cerúlea
2)
aquinii - pétalas, sépalas e lobos laterais do labelo de qualquer cor.
Caracteriza-se por ter pétalas largas com convexidade em menor grau que as
“pelóricas” e um estrangulamento no terço terminal das mesmas, as quais
apresentam, em suas extremidades, duas grandes máculas (exceto no caso das albas
e concolores), imitando o labelo.
Exemplo:



C. intermedia var. aquinii “Aquinii 1” C. intermedia var. aquinii “Otto” C. intermedia var. aquinii concolor

C. intermedia var. aquinii alba C. intermedia var. aquinii cerúlea C. intermedia var. aquinii vinicolor
Aqui entram a “Aquinii
1”, que originou essa variedade e todas as plantas semelhantes à ela como as
aquiniis albas, aquiniis cerúleas, aquiniis vinicolores, aquiniis concolores,
aquiniis frezinas, etc.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser
largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser arredondadas com
estrangulamento e convexidade semelhantes à “Aquinii 1”. O labelo dever ser
tubular com lobo frontal plano. As cores devem ser firmes.
3) flâmea – caracteriza-se pela intensificação do colorido no terço superior das pétalas formando o típico flameado, além de um estrangulamento, em qualquer grau, nesse mesmo terço superior. O labelo possui lobo frontal na mesma cor ou mais intensa.
Aqui entram todas as flâmeas, independente de colorido de modo semelhante às aquiniis.
Exemplos:
C. intermedia
var. flâmea C. intermedia var. flâmea
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas com cores firmes. O labelo dever ser tubular com lobo frontal
plano.
4) bergeriana - pétalas alargadas com pequeno estrangulamento no terço superior das pétalas podendo ou não ter pequenas manchas coloridas. Sépalas normais.
O nome é uma homenagem ao orquidófilo Alceu Berger, de Santa Cruz do Sul, grande apaixonado pelas intermédias e primeiro que levantou publicamente a polêmica das pétalas largas oriundas das “aquiniis”. Esse seria o último estágio antes da pétala larga sem vestígios da “pelória”. Aquela flor arredondada que os hibridadores perseguem nos cruzamentos.
Essa variedade inclui todas as flores no estágio intermediário entre “flâmea” e as pétalas largas, independente de colorido ou da forma do colorido.
(Hoje essas flores são classificadas como “peloriadas”, com mácula e sem mácula.)
Exemplos:
C.
intermedia var. bergeriana alba C.
intermedia var. bergeriana concolor
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e arredondadas. O labelo dever ser tubular com lobo frontal plano.
Categoria
II — variedades classificadas pelo colorido da flor.
Essa categoria inclui as flores que dependem totalmente do colorido para a sua classificação.
Inclui aquelas flores que tem forma semelhante à flor tipo, ou seja, labelo com lobo frontal de cor diferenciada das pétalas e sépalas e aquelas em que o colorido é homogêneo em toda a flor, como as albas. São elas:
1) tipo
2) bordô
3) cerúlea
4) fresina
5) lilasina
6) roxo-bispo
7) semi-alba
8) vinicolor
9) alba
10) concolor
11) rubra
12) sangüínea
1) tipo - pétalas e sépalas na cor rosa claro ou escuro. Labelo com lobo frontal na tonalidade purpúrea.
Exemplo:

C. intermedia
tipo “Quantum” C. intermedia tipo “Boa Vista”
C. intermedia tipo “Milionária”
Essa é a mais comum das
variedades, pois representa o tipo dominante e que mais existe na natureza. Hoje
existem flores tipo grandes e redondas, originárias de flores de pétalas largas
coletadas no passado, como a “Pintada do Tenente”, “Figueirinha” e outras
produzidas por cruzamentos, como a “Quantum”, a “Milionária” e tantas outras.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo dever ser tubular com lobo frontal plano e colorido
púrpura escuro.
2)
bordô - pétalas e sépalas brancas ou cor de rosa. Labelo com lobo frontal na
tonalidade bordô.
Exemplo:

C.
intermedia var. bordô
Essa é uma
variedade muito rara, cujo labelo tem a cor púrpura extremamente escura,
semelhante ao vinho da variedade “Bordeaux”.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo dever ser tubular com lobo frontal plano e com colorido
bem escuro e saturado.
3)
cerúlea - pétalas e sépalas na cor lilás azulado. Labelo com lobo frontal na
cor azulada, variando entre o roxo-violeta e o azul da cor do céu.
Exemplo:

C.
intermedia var. cerúlea “OS1” C. intermedia var.
cerúlea “Otto”
Essa é uma variedade bastante confusa, pois o azulado do labelo costuma ter muita variação da tonalidade e da saturação do azul, o que originou as variedades roxo-violeta, ametistina e cerúlea.
Do mesmo modo as “cerulensis” (flor toda azulada com labelo mais forte), foram englobadas nessa categoria.
Assim, estamos propondo fundir essas quatro variedades numa só, a “cerúlea”, aceita mundialmente como referência para plantas azuladas. A distinção entre as diversas tonalidades de azul é difícil, depende da iluminação ambiente e da percepção visual individual, que varia entre as pessoas.
(Ainda na linha da
simplificação propomos utilizar o nome aportuguezado “cerúlea” no lugar de
“caerulea” ou “coerulea”, nomes esses sem consenso na utilização.)
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e com colorido
podendo variar de azul claro a azul escuro.
4)
frezina – pétalas e sépalas na cor branca ou cor de vinho desbotado. Labelo com
lobo frontal na cor fresi (vinho rosé.)
Exemplo:

C.
intermedia var. fresina
Essa variedade é
derivada da variedade “vinicolor” ou “vinho” sendo mais conhecida no meio
gaúcho. Ainda não possui exemplares de boa qualidade.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo dever ser tubular com lobo frontal plano e com colorido
desbotado, típico da variedade.
5)
lilasina - pétalas e sépalas brancas ou levemente coloridas. Labelo com lobo
frontal lilás claro.
Exemplo:

C.
intermedia var. lilasina “Kurt”
Essa variedade difere
da “suave” apenas pela tonalidade do rosa, ficando muito difícil separá-las em
muitos casos. Assim, propomos apenas essa variedade, que engloba todas as
tonalidades do rosa claro do labelo (inclui as variedades “suave” e
suavíssima”.)
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo dever ser tubular com lobo frontal plano. O colorido pode
variar do rosa claro até o rosa suave, quase imperceptível.
6)
roxo-bispo - pétalas e sépalas brancas. Lobo frontal do labelo com colorido
característico roxo-bispo (colorido típico dos Cardeais da Igreja Católica).
Exemplo:

C.
intermedia var. roxo-bispo
Outra variedade
bastante rara e difícil de ser distinguida pelo leigo. A cor é a mesma da
variedade roxo-bispo da L. purpurata.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e com colorido
roxo-bispo típico.
7)
semi- alba - pétalas e sépalas brancas. Labelo com lobo frontal
purpúreo claro ou escuro.
Exemplo:

C.
intermedia var. semi-alba
Variedade muito rara. Poucas
plantas ficam realmente semi-albas se abrirem as flores em local iluminado.
Muitas tendem a ficar levemente rosadas. Poucas semi-albas legítimas possuem
forma boa. O colorido do labelo deve ser púrpura. Outro colorido define outra
variedade.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e com
colorido púrpura típico da espécie.
8)
vinicolor - pétalas e sépalas brancas ou coloridas. Lobo frontal apresenta o
colorido vinho tinto.
Exemplo:

C.
intermedia var. vinicolor
Esse é um colorido bastante
comum em muitas variedades como aquinii, flâmea, orlata, etc., entretanto,
possui poucos exemplares de alta qualidade, mas seu colorido é belíssimo.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e com
colorido vinho tinto forte.
9)
alba - pétalas, sépalas e labelo branco puro homogêneo em toda a flor,
podendo apresentar, na fauce (garganta), a tonalidade amarela ou creme.
Exemplo:

C. intermedia var. alba “CG2” C. intermedia var. alba “Carlos Gomes”
Apesar de
bastante comum hoje em dia, essa variedade quase não possui plantas de
qualidade, talvez pela pouca quantidade de plantas coletadas e pela forma pobre
das plantas de mato.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano. O
colorido deve ser branco homogêneo em toda a flor sem nuanças de coloridos
diferentes, exceto na fauce que pode ter colorido amarelado ou creme.
10)
concolor - pétalas, sépalas e labelo rosa claro ou escuro homogêneo em
toda a flor, podendo apresentar na fauce, coloração mais clara.
Exemplo:

C.
intermedia var. concolor
Variedade bastante rara
antigamente, restringindo-se à “concolor Maria Faceira”, tornou-se comum com os
cruzamentos e hoje apresenta flores de alta qualidade.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser
largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais
largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano. O colorido
pode variar do rosa claro ao rosa escuro, mas deve ser homogêneo em toda a flor,
exceto na fauce que pode ter colorido amarelado ou creme.
11)
rubra - pétalas, sépalas e tubo do labelo com colorido vermelho rubro e
homogêneo em toda a flor. Labelo com lobo frontal purpúreo escuro, podendo
apresentar na fauce (garganta) uma tonalidade mais clara.
Exemplo:

C.
intermedia var. rubra (fauce mais clara)
Variedade
bastante rara e muito confundida com a variedade sangüínea. A maioria das
plantas é de baixa qualidade, com pétalas e sépalas estreitas, com raras
exceções.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano. O
colorido deve ser púrpura homogêneo admitindo-se pequenas nuanças de coloridos
diferentes, principalmente na fauce.
12)
sangüínea - pétalas, sépalas e tubo do labelo com colorido vermelho sangüíneo
brilhante e homogêneo em toda a flor. Labelo com lobo frontal purpúreo escuro.
Exemplo:

C.
intermedia var. sangüínea “Berger”
Variedade também bastante rara e muito confundida com a variedade rubra. A
maioria das plantas é de baixa qualidade, com pétalas e sépalas muito estreitas.
Possui, entretanto, colorido belíssimo!
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano. O
colorido deve ser púrpura escuro homogêneo em toda a flor sem nuanças de
coloridos diferentes.
Categoria III — variedades classificadas pela forma do colorido da flor.
São aquelas flores em que o colorido forma desenhos na flor, independente do colorido, ou seja, as flores podem ter qualquer cor, o que define a variedade é a forma do colorido e não a cor propriamente dita. São elas:
11) Albescens
12) Puntata
13) Maculata
14) Orlata
15) Marginata
16) Multiforme
17) Oculata
18) Pseudo-tipo
19) Striata
20) Venosa
As variedades de forma de colorido das pétalas e sépalas tem predominância sobre as variedades de forma de colorido do labelo. Por exemplo: flor striata e orlata pertence à variedade “striata”. Flor pintada e marginata pertence à variedade “puntata”. Ou seja, “puntatas”, “maculatas”, “striatas” e “venosas” tem predominância sobre “orlatas”, “marginatas”, “multiformes”, “oculatas” e “pseudo-tipos”.
1)
albescens - pétalas, sépalas e labelo brancos, com pequenas pintas de
outro matiz, e/ou tendo a coluna rosada.
Exemplo:

C.
intermedia var. albescens “Relíquia 1” C. intermedia
var. albescens “Stumpf” (tetraplóide)
É como uma alba pintalgada, fazendo um belo efeito visual. Raríssimas plantas boas nessa variedade. Atualmente estão surgindo alguns clones melhores. Durante anos a “albescens do Stumpf” foi a melhor albescens existente.
Tecnicamente é
uma “alba” com pintas, apesar de algumas apresentarem leve sopro rosado.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano. O
colorido deve ser branco homogêneo em toda a flor e as pintas devem ser bem
nítidas e bem distribuídas podendo ser de qualquer cor.
2)
puntata - pétalas e sépalas visivelmente salpicadas de pontos bem
pronunciados (pintada). Labelo com lobo frontal de cor mais escura.
Exemplo:

C.
intermedia var. puntata
“CG” C. intermedia
var. puntata “Deschamps”
Variedade com boas plantas conseguidas por cruzamentos. São muito atraentes devido às pintas. Tecnicamente pode ter qualquer cor, como essa “puntata cerúlea” abaixo:

Nota para julgamento: as sépalas devem ser
largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
arredondadas. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e colorido mais
forte do que o resto da flor. As pintas devem ser bem nítidas e bem
distribuídas, podendo ser de qualquer cor.
3)
maculata - caracteriza-se pelas máculas espalhadas nas pétalas e/ou
sépalas.
Exemplo:

C.
intermedia var. maculata
É uma variedade quase artificial, quase todas as plantas colocadas nessa variedade, na verdade, são plantas infectadas com vírus (vírus do mosaico), como essa da foto, que causa o aparecimento de máculas coloridas na flor (“color break”).
Algumas
puntatas, às vezes, florescem com pintas aglomeradas e se transformam em
maculatas.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e
colorido mais forte do que o resto da flor. As máculas devem ser bem nítidas e
bem distribuídas, podendo ser de qualquer cor. Atenção especial deve ser dada às
plantas viróticas que não devem ser expostas nem julgadas.
4)
orlata - caracteriza-se pela acentuada coloração nas bordas frontais
dos lobos laterais.
Exemplo:

C.
intermedia var. orlata
“CG” C. intermedia
var. orlata “Vini”
Variedade
belíssima, pois apresenta labelo maior e muito colorido, corrigindo uma
deficiência do labelo da C. intermedia que normalmente é pequeno e
desproporcional à flor.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas,
largas e arredondadas. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e
colorido mais forte do que o resto da flor. A parte frontal dos lobos laterais
(orlas) deve ter colorido acentuado, igual ao lobo frontal formando uma faixa
larga e bem nítida.
5)
marginata - caracteriza-se pela propagação do colorido do lobo frontal
pelas margens dos lobos laterais, com estas margens voltadas para fora, deixando
a coluna, ou parte da mesma descoberta.
Exemplo:

C.
intermedia var. marginata “Coelho” C. intermedia var.
marginata “Ingo”
Variedade belíssima, de
grande impacto visual! Ainda com poucas plantas de qualidade superior (pétalas
largas e proporcionais.) Assim como as orlatas, o labelo grande dá equilíbrio às
flores.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser
largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas, largas e
arredondadas. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e colorido mais
forte do que o resto da flor. As margens dos lobos laterais devem ter colorido
acentuado, igual ao lobo frontal formando uma faixa larga e bem nítida.
6)
multiforme - caracteriza-se por possuir desenhos variados no lobo
frontal do labelo, não se encaixando em nenhuma outra categoria.
Exemplo:

C.
intermedia var. multiforme “Extra”
Variedade
bastante difundida com os novos cruzamentos e com bons exemplares.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas,
largas e arredondadas. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e
apresentando desenhos variados em qualquer colorido.
7)
oculata - caracteriza-se por apresentar no lobo frontal do labelo, duas
manchas simétricas, bem separadas, como se fossem dois olhos.
Exemplo:

C.
intermedia var. oculata “Nestor”
Outra variedade
pobre em exemplares e quase todos de forma ruim. Os dois olhos devem ser bem
parecidos e simétricos. Manchas variadas no labelo caracterizam outra variedade,
a multiforme.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano e com
as duas manchas simétricas de qualquer colorido.
8)
pseudo-tipo - caracteriza-se por ter o lobo frontal com duas nuanças de
colorido, separados por uma linha horizontal. A parte de baixo é de colorido
mais escuro.
Exemplo:

C.
intermedia var. pseudo-tipo
Variedade com poucas plantas disponíveis. A mais famosa foi a “pseudo-tipo do Kurt”.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano com duas cores.
9)
striata - caracteriza-se pelas estrias nítidas ao longo das pétalas
e/ou sépalas. (“estrias” parecem estar pintadas por fora dos segmentos florais)
Exemplo:

C.
intermedia var. striata “Linda” C. intermedia striata
“Iwasita” C. intermedia var. striata cerulea
Originalmente
as estriatas possuíam leves estrias nas pétalas e sépalas. Com os cruzamentos
entre flâmeas e tipos, surgiram flores sem o aquinado e com fortes estrias
somente nas pétalas.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. As estrias podem aparecer nas pétalas, nas sépalas ou
em ambas O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano.
10)
venosa - caracteriza-se pelas veias nítidas que apresenta na textura interna
dos segmentos florais. (as “veias” parecem estar por dentro dos segmentos
florais.)
Exemplo:

C.
intermedia var. venosa
Variedade
raríssima. Quase todas descendem da venosa “Heitor”, planta de mato. Os
cruzamentos feitos com ela, infelizmente, não melhoraram essa variedade.
Nota para
julgamento: as sépalas
devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e
as mais largas possíveis. As veias devem ser bem nítidas nas pétalas e sépalas.
O labelo deve ser tubular com lobo frontal plano.
Bibliografia:
Cattleya intermedia Graham ex Hooker

C. intermedia var. aquinii “Aquinii 1”
Anexo 1
Distinção entre pelóricas, aquiniis e flâmeas
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005
Introdução
A diferenciação, na C. intermedia, entre as formas pelóricas, aquiniis e flâmea sempre foi motivo de muitas discussões, muitas dúvidas e muitas coisas já foram escritas sobre o assunto.
No entanto ele permanece polêmico.
Cada orquidófilo tem suas regras para diferenciar essas variedades de forma. No intuito de ajudar a esclarecer essas questões, faremos algumas propostas ilustrando com fotos.
Primeiro, vamos à questão das pelórias (para o fenômeno do trilabelismo) para identificar as variedades “pelórica” e “aquinii”. Segundo o dicionário Aurélio:
-pelória. Substantivo feminino. Morfologia vegetal. Anomalia floral, comum nas orquídeas, que consiste na transformação de uma flor zigomorfa em actinomorfa.
Isso nos leva às outras duas definições:
- zigomorfia. S.f. Morf. Vegetal. Tipo de simetria floral em que o órgão só admite um plano de simetria. É, pois, uma simetria bilateral.
Ou seja, cortando a flor verticalmente temos duas partes iguais. Qualquer outro corte produz duas partes diferentes. Exemplo com uma flor tipo:

Corte vertical (único corte que produz duas partes iguais) Corte horizontal (duas partes diferentes)
Flor zigomorfa, com simetria bilateral.
- actinomorfo.Adjetivo botânico. Diz-se de qualquer órgão, ou parte, de uma planta que tenha simetria radiada, isto é, que permita passar ou traçar vários planos de simetria. [Opõe-se a zigomorfo.]
É o caso, por exemplo, de uma flor de uma rosa ou de um lírio, as quais se pode cortar por vários planos e as duas metades serão sempre iguais. (evidentemente olhando-se a flor de frente...).

É o caso também das nossas "aquiniis" que dá para cortar por três planos diferentes (pelo meio do labelo e pelo meio das pétalas transformadas em labelo) e ter metades iguais. (aqui não se pode ser muito rigoroso senão teríamos de ter uma flor com três sépalas, três labelos e três colunas. Existem algumas até parecidas, mas não perfeitamente equilibradas).
Mas não sendo muito exigente, dá para encaixar na descrição das “actinomorfas” muitas intermedias "aquinadas" e também aquelas em que há uma mistura das características das pétalas e do labelo, como na foto abaixo.

É o caso também das "tripetalóides" em que o labelo volta a sua forma primitiva de pétala (segundo dizem os botânicos... aí a flor fica com três sépalas e três pétalas apenas, sem labelo, parecendo um lírio... são mais raras e não tão bonitas. Afinal, o labelo é que dá grande beleza às orquídeas!)
Concluindo, as nossas “aquiniis” nada mais são do que flores “actinomorfas”, flores com simetria radial.
E, nesse caso, por definição, deveriam ser chamadas de “pelóricas”!
Mas a história da C. intermedia tomou rumos diferentes. Ela foi descrita como espécie em 1828. Por volta de 1875 foi descoberta em Porto Alegre, uma planta, com as pétalas transformadas em labelo. Levada para o Rio de Janeiro, o botânico Barbosa Rodrigues a descreveu como “Cattleya aquinii”, pensando tratar-se de uma nova espécie.
Em 1900, o botânico R. A. Rolfe a reconheceu como sendo uma simples variedade e a descreveu como “C. intermedia var. aquinii”.
Estava criada a variedade que, no futuro, iria ser usada para descrever todas as flores de C. intermedia e de orquídeas em geral, em que as pétalas tentam imitar o labelo. O termo “aquinii” virou sinônimo, erroneamente, de flores com qualquer marca ou mancha nas pétalas.
Na C. intermedia, com o tempo, aquelas flores em que o fenômeno da pelória apresentava-se mais suave foram chamadas de “flâmeas” e aquelas que mostravam apenas leves traços da mutação foram chamadas erroneamente e genericamente de “peloriadas”.
Uma outra corrente defendeu ainda que o nome “aquinóide” fosse para as plantas semelhantes à “Aquinii 1”(a primeira planta encontrada) , reservando o nome “aquinii” apenas para o clone original.
Por causa disso e da falta de critérios claros, a distinção entre “peloriadas”, “aquiniis”, “aquinóides” e “flâmeas” sempre foi motivo de muitas dúvidas e discussões.
Estamos propondo aqui uma simplificação na classificação dessas variedades de forma.
Vamos partir das duas formas extremas da flor, a “tipo” e a “pelórica”. A primeira, o padrão da espécie, muito abundante na Natureza e a segunda surgindo como uma mutação ocasional.
O nosso pressuposto básico é a evolução da forma “pelórica” (trilabelóide) até a “tipo” de pétalas largas.
Esse processo só recentemente foi entendido, fruto de cruzamentos entre as variedades de forma e as de colorido.
É o que acontece, por exemplo, nos cruzamentos entre flores de forma “aquinii” ou “flâmea” com flores “tipo” em que o resultado apresenta flores desde a forma “aquinii” até o “tipo” passando por diversos graus de “pelória”, ou seja, pétalas alargadas e com maior ou menor grau de colorido, estrangulamento e convexidade. Isto pode ocorrer através de cruzamentos naturais e artificiais e mesmo por mutação surgindo plantas com os mais variados graus de semelhança do labelo nas pétalas.
Podemos então condensar em quatro, os estágios de uma flor, evoluindo da forma “pelórica” (trilabelo) para a forma “tipo” de pétalas largas (ou seja, a dominância do labelo diminuindo):
1) Flor trilabelóide ou forma “pelórica” – que possui pétalas praticamente iguais ao labelo aberto, inclusive na cor e com separação nítida dos lobos laterais e frontal, com forte estrangulamento no terço superior das pétalas e grande convexidade. (variedade “pelórica”)
Por exemplo:
2)
Flor aquinada ou forma “aquinii”, que possui pétalas ainda imitando o
labelo, mas já num estágio mais avançado, não tendo separação dos lobos,
colorido do terço superior ainda igual ao do labelo e com estrangulamento e
convexidade menor que a forma “pelórica”, mas ainda fortes. (variedade
“aquinii”) Por
exemplo:

3) Flor flameada ou forma “flâmea”, cujas pétalas possuem o terço terminal com intensificação da cor, convexidade e estrangulamento em menor grau. (variedade “flâmea”)
Por exemplo:
4)
Flor com pétalas alargadas, arredondadas, com boa armação, colorido igual
às sépalas e com pouco ou nenhum estrangulamento, lembrando levemente o labelo.
É o estágio final do melhoramento, sonho dos hibridadores que buscam alargar as
pétalas de certas variedades através das flores de forma pelórica. (variedade
“bergeriana”, que hoje são conhecidas como “pelóricas”. Ver explicação do nome
“bergeriana” no anexo 2)
Exemplo:

C. intermedia var. bergeriana concolor C. intermedia var. bergeriana alba C. intermedia var. bergeriana concolor
Mas como classificar com boa precisão quando nos depararmos com flores dessas variedades?
A maior confusão quase sempre se dá com as variedades “aquinii” e “flâmea”, sendo as “pelóricas” e as “bergerianas” de identificação mais fácil.
Com base no raciocínio da evolução das “pelóricas” para as pétalas largas, podemos definir como quatro as condições para uma flor ser considerada “aquinii”:
1. colorido das pétalas igual ao do labelo em tonalidade e saturação da cor;
2. pétalas largas imitando o labelo aberto;
3. forte convexidade das pétalas;
4.
forte estrangulamento no terço superior das pétalas.

C.
intermedia var. aquinii “Aquinii 1”
Na falta de qualquer dessas condições e não sendo “pelórica” ou “bergeriana” a flor deve ser considerada “flâmea”.
Exemplos:
a) Flores com pétalas imitando o labelo, mas não em todos os 4 itens acima:
-colorido das pétalas mais fraco que o labelo
-pétala estreita
-forte estrangulamento
-forte convexidade
Exemplo:

C.
intermedia var. flâmea
b) Flores com pétalas imitando o labelo, mas não em todos os 4 itens acima:
-colorido das pétalas igual ao labelo ou mais fraco
-pétala larga
-fraco estrangulamento
-forte convexidade
Exemplo:

C. intermedia var. flâmea “Genésio”
c) Flores com pétalas imitando o labelo, mas não em todos os 4 itens acima:
-colorido das pétalas mais fraco que o labelo
-pétala larga
-fraco estrangulamento
-fraca convexidade
Exemplo:
C. intermedia var. flâmea “Otto”
Cattleya intermedia Graham ex Hooker

C. intermedia var bergeriana alba
Anexo 2
Nota sobre a variedade “bergeriana”
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005
Introdução
A evolução das flores “pelóricas” até as flores de pétalas largas apesar de já conhecido de muitas pessoas, foi inicialmente divulgado pelo orquidófilo e apaixonado pela C. intermedia, Alceu Berger, de Santa Cruz do Sul, RS. Ele escreveu, no Boletim CAOB nº 33, de jul/1998:
“Se uma pétala de intermedia se alargou (através de cruzamentos) e não caracterizou uma trilabélia através de formas, coloridos ou franjados, tem uma armação normal de intermedia, ela fará com que essa flor seja uma intermedia de pétala larga.
...
Cruzamentos de aquinii em consangüinidade, a partir da segunda geração, começam a gerar clones de flores de pétalas largas.
Concluindo, pétala larga em intermedia é uma fase de transição entre o tipo e a pelória (aquinada ou flâmea)”

Alceu
Berger
Apesar de há muito ter ouvido falar nessa teoria, só acreditamos quando vimos as provas, através de flores que sabidamente eram de cruzamentos entre tipos e aquiniis ou flâmeas. Mesmo assim, isso levou anos, pois nem todos os cruzamentos nessa linha levam a esse resultado, mesmo os de segunda geração. Além disso, com a segregação dos gens envolvidos nesse processo, muitas formas diferentes de flores surgem nesses cruzamentos, comprovando que um número muito grande de gens está envolvido, dificultando o entendimento do processo.
Na revista Brasil Orquídeas nº 2, de agosto 2002, escrevemos um artigo sobre a C. intermedia, no qual tecíamos o seguinte comentário sobre o alargamento de pétalas usando a variedade aquinii, defendido por Alceu Berger:
“Confesso
que também acreditei durante anos nessa teoria e fiz muitos cruzamentos nesse
sentido, mas os resultados que obtive com intermedia e leopoldii, das variedades
aquinii e trilabelo, cruzadas com plantas tipo, não o confirmaram.
O resultado, em centenas de plantas floridas foi de plantas com pétalas normais e uma percentagem de flâmeas, aquinis e trilabélias. As de pétalas largas, sem manchas ou máculas, ainda estamos esperando!”
Mas... o tempo é o senhor da razão!
No ano seguinte veríamos as primeiras flores de pétalas largas, tanto nossas quanto de outras pessoas, pois tínhamos feito muitos cruzamentos nessa linha e passamos a estudar o assunto com mais interesse, tentando entender melhor o processo.
Nos cruzamentos entre C. leopoldii trilabelo e tipo surgiram flores desde a forma trilabelóide até a tipo, passando por “aquinadas”, flâmeas e as tão esperadas pétalas largas, como essa da foto abaixo:

C. leopodii tipo de pétalas largas C. leopoldii var. pelórica
Resultados do cruzamento de “Anita Garibaldi” trilabelóide X C. leopoldii tipo
Mas foi com a observação de uma planta da coleção de Otto Georg, uma striata chamada “Linda” que tive a total confirmação da teoria defendida pelo Alceu Berger. Essa planta, nitidamente resultado de cruzamento entre “flâmea” e “tipo”, floresce em alguns anos com leves estrias nas pétalas e em outros sem nenhuma estria, ficando apenas com as pétalas largas, como uma flor “tipo” de boa forma.
Em alguns anos ainda, floresce com ambas as características, ou seja, com flores com pétalas estriadas e outras sem estrias, na mesma planta. Em algumas flores inclusive, uma pétala fica estriada e outra não, conforme fotos abaixo. A instabilidade do fenômeno nessa planta nos deu a oportunidade de observar claramente como a influência do labelo pode diminuir, deixando a flor apenas com as pétalas largas.

C. intermedia
var. striata “Linda” em três florações distintas
Estudando melhor o processo, e tentando sistematizar as variedades de forma, projetamos um esquema de evolução da forma “pelórica” até a forma da flor normal de pétala larga. Nesse último estágio, a flor não se enquadra em nenhuma variedade atual.
Resolvemos então homenagear Alceu Berger, aquele que primeiro comentou o fato, polemicamente, como é de seu feitio, mas que assim fazendo chamou a atenção para novas linhas de cruzamento, agora intencionais e não ocasionais, como até então.
Desse modo, estamos propondo chamar essa variedade de “bergeriana”.

C.
intermedia var. bergeriana tipo

C. intermedia var. bergeriana cerúlea C. intermedia var. bergeriana alba
Outras pétalas largas
Devemos atentar ao fato de existirem plantas na Natureza, com pétalas largas sem que necessariamente tenham origem em plantas aquinadas. Uma outra forma de se conseguir flores com pétalas largas é fazer cruzamentos usando esses clones, como por exemplo, a famosa C. intermedia var. puntata “Pintada do Tenente” que deu origem a uma das mais famosas pétalas largas, a “Quantum”, que tem flores de pétalas largas e redondas e nenhum sinal de aquinados. Outra é a lendária “Figueirinha”, encontrada no Taim e que tem gerado flores de pétalas largas e arredondadas.

C. intermedia “Quantum” C. intermedia “Figueirinha”
Cattleya intermedia Graham ex Hooker

CRITÉRIOS DE JULGAMENTO E PONTUAÇÃO
Proposta
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005
1. Introdução
Todo julgamento é comparativo. Julgar a beleza das orquídeas é sempre uma tarefa difícil, pois todas são belas por natureza. Tentando diferenciar uma flor de outra, os orquidófilos definiram critérios que tentam refletir o gosto comum para as flores de cada espécie.
Aqui vamos nos ater ao gênero Cattleya e mais especificamente à espécie Cattleya intermedia. As flores desse gênero não têm nativamente formas arredondadas e as primeiras seleções eram feitas pela forma e colorido da flor. Entretanto, através de cruzamentos entre as espécies, flores com formas quase perfeitas em termos de características arredondadas foram conseguidas. Daí passou-se automaticamente a comparar as espécies nativas com aquelas hibridadas entre várias espécies.
Essa comparação forçou uma seleção pela forma, das espécies nativas e logo flores sem forma arredondada perderam valor, mesmo tendo coloridos vistosos e às vezes até mesmo raros. Um dos desafios atuais da orquidofilia é justamente conseguir flores de forma técnica excelente e ao mesmo tempo preservar os antigos clones.
No caso de julgamento seguindo as regras da AOS (American Orchid Society), que é o que propomos, a flor é, teoricamente, comparada com um padrão ideal de cada espécie. Esse padrão é aperfeiçoado a cada julgamento, pois as flores classificadas são medidas e fotografadas e passam a fazer parte do acervo de dados à disposição dos juízes.
Assim, de posse de uma tabela de pontuação para cada gênero (Cattleya por ex.), do conhecimento e experiência de cada juiz e de um histórico das premiações, os juízes podem julgar e dar notas às plantas. Quanto mais informações e conhecimento sobre a espécie estiverem disponíveis, tanto melhor será o julgamento.
É claro que se os juízes conhecerem poucas plantas da espécie sendo julgada e poucas plantas dessa espécie tiverem sido premiadas, o resultado poderá ser ruim, pois o “padrão” ainda será imperfeito, baseado em poucas plantas julgadas. Mas, com o tempo e o aumento de plantas julgadas, o padrão será aperfeiçoado. Os juízes deverão ser treinados com métodos padronizados e, de preferência, deverão ser bons conhecedores da espécie em julgamento. Juízes com conhecimento superficial de determinada espécie, tendem a supervalorizar as plantas analisadas. Por isso, vemos espécies brasileiras de forma comum ser premiadas no exterior, apesar da AOS exigir muitos anos de treinamento para formar um juiz.

Cattleya intermedia de excelente forma
(Como regra para se iniciar uma análise, sugerimos que se compare a flor em análise com uma flor padrão da C. intermedia. Essa deve receber 50% dos pontos possíveis ou 50 pontos. Assim pode-se acrescentar ou retirar pontos partindo-se desse referencial.)

C. intermedia padrão
A tabela de pontuação da AOS para Cattleyas, que propomos para uso, estipula 100 pontos como máximo para uma flor, divididos em três partes:
Tabela da AOS
Forma da Flor:
-forma geral - 15 pontos
-sépalas - 5 pontos
-pétalas - 5 pontos
-labelo - 5 pontos
Total: 30 pontos
Aqui deve ser analisada apenas a forma da flor, observando-se se a mesma se enquadra no modelo ideal de flor. Deve-se observar:
-a harmonia da flor como um todo, isto é, se seus segmentos florais são proporcionais, se encaixando num círculo imaginário formando um conjunto harmonioso, sem um ou outro segmento se destacando dos demais;
-se a flor é cheia, isto é, sem aberturas ou “janelas” entre os segmentos;
-se as pétalas estão quase no mesmo plano que as sépalas, isto é, se a flor possui boa armação;
-se as sépalas têm espaçamento ideal formando um triângulo com os três lados iguais;
-se as pétalas e o labelo têm espaçamento ideal formando um triângulo invertido, com os três lados iguais;
-se as sépalas são largas, lisas e com as pontas arredondadas;
-se as pétalas são largas, lisas e com as pontas arredondadas;
-se o labelo é tubular com o lobo frontal largo, liso e com tamanho proporcional às pétalas.
Cor da Flor:
-cor geral - 15 pontos
-cor das sépalas e pétalas - 7 pontos
-cor do labelo - 8 pontos
Total: 30 pontos
Aqui deve ser analisada apenas a cor da flor, observando-se se a mesma é típica da variedade em questão. Deve-se observar:
-se a cor geral corresponde ao ideal para aquela variedade, não deixando dúvidas sobre a mesma. A cor geral deve ser firme e característica da variedade;
-se as sépalas e pétalas têm cor bem definida e saturada, observando-se as peculiaridades de cada variedade;
-se o labelo possui cor típica da variedade com colorido mais intenso. A cor deve ser saturada exceto no caso de variedades de cores suaves.
Outras Características:
-tamanho da flor - 10 pontos
-substância e textura - 20 pontos
-haste floral - 10 pontos
Total: 40 pontos
Aqui deve ser analisado:
-se a flor tem tamanho adequado para a espécie, recebendo mais pontos para tamanhos acima do normal; (sugestão: tamanho de 8cm = 4 pontos, aumentando-se 2 pontos por cm)
- se a flor tem substância adequada. (Substância é a espessura dos segmentos florais. É a substância que dá armação às flores). É uma das características mais importantes da flor. Flores sem substância apresentam segmentos florais caídos e não devem ser julgadas. A substância pode ser, entre outras: leve ou fina, média ou boa, firme, dura, pesada ou excepcional. A C. intermedia padrão tem boa substância possuindo segmentos florais firmes.
- se a flor tem textura típica. (Textura é a interpretação visual das características da superfície dos segmentos florais e, entre outras, pode ser: fosca, aveludada, sedosa, brilhante, cintilante, faiscante, cristalina, aveludada ou cerosa.) Os melhores clones têm textura cerosa (parecem ser feitos de cera).
- se a haste floral é suficientemente longa e ereta para uma boa apresentação, sem amontoamento das flores;
- se o número de flores é típico da espécie. A C. intermedia floresce facilmente com 3 ou 4 flores, chegando em alguns clones até 9 flores por haste floral. (sugestão: 3 flores bem apresentadas = 6 pontos, aumentando-se 2 pontos por flor)
Somando-se os pontos obtidos podemos verificar se a planta é passível de premiação ou não:
De 0 a 74 pontos – sem premiação
De 75 a 79 pontos – medalha de bronze
De 80 a 89 pontos – medalha de prata
De 90 a 100 pontos – medalha de ouro
Roteiro para julgamento das plantas. Entre parênteses o responsável pela ação:
1) Escolher pelo menos 3 juízes e um secretário (Sociedade ou Federação).
2) Separar as plantas para julgamento (juízes);
3) Definir a variedade de cada planta (juízes);
4) Pesquisar, nos arquivos da FCO em CD-ROM, por plantas premiadas da mesma variedade de cada planta a ser julgada (secretário);
5) Para cada planta, selecionar a melhor flor, analisar e medir (juízes), anotando os resultados (secretário);
6) Comparar, usando os arquivos em CD-ROM, com outras plantas premiadas, da mesma variedade (juízes);
7) Dar notas para cada quesito com comentário utilizando planilhas padrão (juízes);
8) Fazer a média das notas e verificar se alcançou premiação (secretário);
9) Em caso positivo fotografar a flor nas posições de frente e perfil (juízes);
10) Arquivar todos os dados anotados e preencher diploma de premiação (secretário).

C. intermedia var. puntata “Deschamps”
FIM