A ORIGEM DAS ORQUÍDEAS
Aos olhos da ciência, todos os segredos das
orquídeas foram revelados, ao menos, no que diz respeito à racional frieza da ciência
Parece haver, entretanto, algo ainda não revelado, algo impossível de definir,
que nós procuramos, com nossa sensibilidade visual, aproximar-nos dessa fundamental e
misteriosa questão.
Com as fotografias nós documentamos as formas externas das orquídeas, mas também buscamos aproximarmo-nos da verdadeira imagem da natureza e explorar seus recantos internos, fazendo surgir o que pode ser chamado de sua essência. A nossa Galeria de Fotos, montada como um excitante enigma, tem um elemento de mistério. Qual é o encanto das orquídeas, o fascínio que repousa na base da visão dos orquidófilos? Antes de explicar os três principais temas - personificação, gênese e fluxo, gostaríamos, porém, de trilhar as origens e as formas das orquídeas.
Essas plantas são anteriores ao homem. Alguns vestígios de fósseis encontrados datam do período entre o Jurássico, da era Mesozóica (de 195 a 136 milhões de anos), e o período Cenozóico (64 milhões de anos). A relação homem orquídea teve início, provavelmente, na costa do Mar Mediterrâneo, onde Orchis e Ophrys são nativas ou, então, na China, com o Homem de Pequim.
A primeira referência à orquídea, de que se tem notícia, encontra-se registrada no Enquiry Into Plants (Pesquisa sobre Plantas), escrito por Teofrasto, um discípulo de Aristóteles, cerca de 300 a.C. Foram pela primeira vez claramente identificadas como "orquídeas" no século 1 d.C. por Dioscórides, um médico militar especializado em botânica medicinal, que usava as orquídeas, no tratamento de problemas sexuais, chamada Matéria médica, descreve mais de quinhentas plantas, designando duas delas como orchys, foi padrão referencial até a Idade Média. Na Ásia, o grande filósofo e estadista Confúcio mantinha orquídeas em sua casa, e escreveu um poema enaltecendo sua fragrância,
A Orchidaceae, ou orquídea (orchid, como é chamada em inglês), era conhecida pelos gregos como orchis, há dois mil anos. Tal palavra parece referir-se à Orchis morio, uma orquídea que ainda pode ser vista naquela região. O nome significa testículo, por razões bastante óbvias.
A atual orquídea ocidental teve sua origem durante a Grande Era da Navegação, quando então foi levada à Europa juntamente com outros artigos comerciais provenientes dos trópicos "selvagens". A primeira a alcançar a Europa foi a Bletia verecunda, em 1731. Tratava-se de uma orquídea nativa, descoberta nas índias Ocidentais.
No século XIX, tomou-se mais fácil importar orquídeas dos trópicos, e o progresso na fabricação de vidros facilitou a construção de estufas. As pessoas de alto poder aquisitivo e a aristocracia sentiram-se motivadas a cultivá-las, a ponto de competir na coleta de espécimes raros e bonitos. Embora aristocratas e eruditos tenham organizado expedições por regiões tropicais ainda inexploradas à procura das flores, a maior contribuição veio de coletores contratados por negociantes de orquídeas. Essas pessoas solitárias trabalhavam meses ou anos, arriscando suas vidas. Embora as recompensas fossem substanciais, caso encontrassem espécimes raros, muitos deles se deparavam com um trágico destino, após uma longa e solitária viagem. A Skinner (Skinneri) é uma das muitas plantas cujos nomes foram mantidos através dos séculos para homenagear coletores de orquídeas.
Através dos anos, muitas pessoas eruditas participaram da classificação e da denominação do crescente número de orquídeas trazidas; de regiões tropicais, deixando-nos um legado de realizações substanciais. O cultivo de novas variedades teve início na última metade doséculo XIX, proporcionando um rápido avanço e produzindo uma infinidade de tipos. O critério de registro da Royal Hortícultural Society tem-se mantido até a presente data, conservando um padrão inigualável no mundo da floricultura.
O que há nas orquídeas que as toma tão atraentes? Cor, brilho, forma ... ? Das plantas monocotiledôneas, o brilho da orquídea pode ser encontrado somente nas da família ginger. Outra característica distinta é a de que os estames são unidos aos pistilos para formar o que é chamado de coluna.
Essa coluna é perfeitamente visível em algumas flores e escondida no labelo de outras. Foi usado um foco suave ao fotografar as flores com colunas expostas, talvez para insinuar um componente sexual. Em contraste com as muitas orquídeas que apresentam colunas grossas, a virginal Laelia mantém sua coluna escondida no lóbulo das sépalas. As flores são basicamente órgãos reprodutores, e o Criador as expôs de uma forma belíssima. Mesmo assim, algumas flores escondem sua arte reprodutora nas profundezas de seus recantos internos.
A relação entre orquídeas e insetos é algo fascinante. A orquídea desenvolveu varias técnicas distintas para facilitar a polinização por intermédio dos insetos. Por exemplo, as orquídeas normalmente produzem flores andrógenas, mas algumas possuem flores só masculinas ou só femininas. O Catasetum, encontrado na América Central, tem uma flor masculina que possui um sentido tátil. Quando a flor é tocada pelos insetos, um receptáculo de pólen é lançado a mais de um metro de altura, agarrando-se firmemente às costas do inseto. A Ophrys e a Drakaea assumem as formas de insetos femininos, e assim enganam os insetos machos, permutando pólen por meio de movimentos de acasalamento. Essa arte de sedução possui um encanto que não é habitual nas plantas.
As sementes diminutas também são surpreendentes. Uma cápsula contém de 10 mil a 8.000.000 de sementes, dependendo da espécie, que são suficientemente leves para serem carregadas pelo vento por centenas de quilômetros. A natureza compôs tudo isso de tal forma que as sementes só germinarão se tiverem contato com o fungo micorriza, pois eles vivem em perfeita simbiose.
Quanto mais se aprende sobre orquídeas, mais misteriosa se torna a sua natureza. Ao nos depararmos com as maravilhas da natureza e sua infinita profusão de formas através desta coleção fotográfica, nosso gosto pelo belo fica profundamente aguçado.
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