Classificação das Variedades
Da Laelia purpurata Lindley
Proposta
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005

L. purpurata var. flâmea “Saci Pererê”
Classificação das Variedades
Proposta
Carlos Gomes
Florianópolis - SC
2005
Revisão 01 – Out/2005
1 - Introdução
Um sistema de classificação de orquídeas deve ter critérios claros, bem definidos e de fácil entendimento, mesmo para iniciantes nessa arte.
Nas exposições de L. purpurata, é comum encontrarmos plantas classificadas erroneamente e pessoas com dificuldade no entendimento das diferenças entre as variedades.
Essa é também a maior dificuldade dos orquidófilos iniciantes, que gostam de classificar corretamente suas plantas.
O presente trabalho é uma proposta de classificação de variedades da L. purpurata Lindley, a flor símbolo do Estado de Santa Catarina, tendo como base o Regulamento da FCO (Federação Catarinense de Orquidófilos).
É uma tentativa de se sistematizar a classificação das variedades dessa belíssima orquídea tão colecionada e tão valorizada, principalmente no sul do Brasil.

L. purpurata var. flâmea “Lapurpurata” L. purpurata var. tipo “Jaqueline”
Uma das premissas deste trabalho é a simplificação, de modo a tornar fácil o entendimento da classificação das variedades, condição básica para que iniciantes entendam e tomem gosto pela arte de cultivar e colecionar a Laelia purpurata.
Desse modo algumas variedades, com diferenças sutis, foram agrupadas, como no caso das variedades “josephinae” e “canhanduba” cuja diferença está apenas na tonalidade da cor rosa do labelo, tornando difícil, senão impossível diferenciar determinadas flores. Além disso, a variedade “josephinae” é conhecida quase que somente através de uma única planta, a “josephinae Knoll”, cujo colorido do labelo é levemente mais suave que algumas canhandubas, não justificando sua inclusão como variedade.
Além disso, não consideramos como variedade a simples mudança de cor de algumas variedades, como as oculatas roxo-violeta, as striatas ardósia, etc..
Como a forma sempre tem predominância sobre o colorido, entendemos que essas flores devem se encaixar nas variedades de forma do colorido, ou seja, continuam sendo “oculatas” e “striatas” independentemente do colorido.
Também colocamos um comentário, em cada variedade, tentando dar uma idéia do estado atual do melhoramento da variedade e orientando para maior ou menor exigência no julgamento. Para um guia de julgamento da Laelia purpurata propomos o anexo 1.
A intenção é substituir, em médio prazo, todas as fotos desse trabalho por fotos de plantas julgadas e premiadas pelos critérios do Anexo 1, em exposições de SC.
Deve-se entender que o conceito de “variedade” usado neste trabalho é horticultural, usado e aceito há décadas por orquidófilos e colecionadores de orquídeas. Não é o conceito botânico.
Adotamos as duas categorias propostas pela FCO para a classificação da L. purpurata. Cada categoria contém as variedades agrupadas por alguma característica comum, totalizando 27 variedades. O critério de separação utilizado foi a dependência ou não do colorido da flor:
I. categoria I – variedades dependentes do colorido:
1) tipo
2) ardósia
3) carnea
4) canhanduba
5) roxo-violeta
6) roxo-bispo
7) semi-alba
8) suave
9) russeliana
10) vinicolor
11) alba
12) concolor
13) rubra
14)
sangüínea
II.
categoria II – variedades
dependentes da forma do colorido:
a) Forma de colorido do labelo:
1) anelata
2) argolão
3) áurea
4) mandayana
5) marginata
6) multiforme
7) oculata
8) regina
9) schroederae
10)
atro
b) Forma de colorido das pétalas:
11) flâmea
12) striata
13) venosa
A categoria I é totalmente dependente do colorido da flor. A cor
define a variedade.
A categoria II é independente do colorido da flor, as flores dessa categoria
podem ter qualquer cor. A forma do colorido tem predominância sobre o colorido.
Por exemplo: flor “flâmea” e “vinicolor” pertence à variedade “flâmea”. Flor “oculata” e “roxo-violeta” pertence à variedade “oculata”.
Isso traz um problema: na classificação atual da FCO, a variedade “atro” predomina sobre as variedades de colorido e assim, essas flores, que normalmente tem labelo colorido por fora, como as “rubras” e as “sanguíneas”, pelo atual regulamento, deveriam ser consideradas “atros”.
Outro problema são as variedades “áurea” e “oculata” que frequentemente ocorrem na mesma flor.
Como são ambas variedades de forma de colorido, não há predominância de nenhuma. Como classificar? A tendência tem sido classificar como “oculata”, já que essa forma é mais chamativa visualmente. Mas nada impede de se expor a planta como “áurea”, pois o regulamento é omisso.
Para complicar, com as centenas de cruzamentos atuais entre variedades, estão surgindo plantas que não se encaixam muito bem nas variedades atuais, com tendência a aumentar bastante no futuro, exigindo constantes atualizações dos regulamentos que por sua vez vão exigir clareza nos critérios de classificação das variedades.
Para resolver esse problema atualmente, propomos que:
- A forma do colorido deve ter predominância sobre o colorido, exceto para a variedade “atro”, quando conflitar com as variedades “rubra” e “sangüínea”. Para as outras variedades de colorido, a variedade “atro” continuará predominando;
-Quando houver dupla forma do colorido no labelo, como por exemplo, “áurea” e “oculata”, ou no labelo e pétalas, como “oculata” e “striata”, a forma de colorido mais vistosa, a “oculata” deve predominar;
-Quando houver dupla forma do colorido, nas pétalas e no labelo, como “striata” e “áurea”, a forma de colorido das pétalas deve ter predominância sobre a forma de colorido do labelo, e nesse caso a flor seria “striata”, mesmo sendo também “áurea”.
I) Categoria I — variedades classificadas pelo colorido da
flor
Essa categoria inclui as flores que dependem totalmente do colorido para a sua classificação.
Inclui aquelas flores que tem forma de colorido semelhante à flor tipo, ou seja, labelo com lobo frontal de cor diferenciada das pétalas e sépalas e aquelas em que o colorido é homogêneo em toda a flor, como as albas, concolores, rubras e sangüíneas. São elas:
1 – Tipo
Pétalas e sépalas variando do rosa claro ao rosa escuro. Labelo purpúreo. Fauce com estrias.

L. purpurata var. tipo “Esplendor” L. purpurata var. tipo “Ana Clara”
L. purpurata var. tipo “Carijó”
Essa é a mais comum das variedades, pois representa o tipo dominante e que mais
existe na natureza. As sépalas e pétalas podem ser claras, quase semi-albas ou
rosadas. A cor do lobo frontal do labelo deve ser sempre púrpura,
Hoje existem flores “tipo” grandes e redondas, originárias de bons cruzamentos. Uma das plantas que mais melhorou as “tipos” foi o “tipão Deschamps”, matriz das três plantas acima.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido púrpura escuro homogêneo. Planta padrão: “tipo Carijó”.
2 – Ardósia
Sépalas e pétalas brancas ou tingidas de cinza-chumbo. Labelo colorido de cinza-chumbo, com ou sem veias pronunciadas. Fauce branca ou amarelada.

L. purpurata var. ardósia “Ribeirão” L. purpurata var.
ardósia
Variedade muito rara em tempos antigos. Atualmente com cruzamentos muitas
plantas estão disponíveis, entretanto, plantas de forma excelente ainda são
raras. Muitas são estriadas nas pétalas.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido ardósia fechado. Admite-se leves estrias nas pétalas. Estrias bem demarcadas caracterizam a variedade “striata”. Planta padrão: “ardósia Ribeirão”.
3 – Cárnea
Sépalas e pétalas brancas ou levemente coloridas. O labelo apresenta colorido de framboesa ou morango, com veias mais ou menos acentuadas. Fauce branca ou amarelada.

L. purpurata var. cárnea “Arno Kunz” Labelo da variedade cárnea
L. purpurata var. cárnea “CG”
Variedade com colorido praticamente exclusivo em flores, mesmo em outras
espécies de orquídeas. Muito utilizada como flor de floricultura devido ao
sucesso de venda. Infelizmente ainda é uma variedade pouco melhorada.
Praticamente todas as plantas foram encontradas no RS. A mais famosa continua
sendo a lendária “cárnea Haetinger”.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis, formando um triângulo com o labelo. O labelo deve ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido cárnea fechado. Planta padrão: “cárnea Arno Kunz”
4 – Canhanduba
Sépalas e pétalas brancas ou levemente coloridas. O labelo apresenta o colorido semelhante ao do interior da abóbora.

L. purpurata var. canhanduba “Deschamps” Labelo da variedade
canhanduba
Variedade exclusiva de Santa Catarina. As primeiras plantas foram encontradas em
Itajaí, junto ao Rio Canhanduba, de onde veio o nome. É quase uma cárnea, porém
com colorido do labelo mais suave e rosado, com estrias mais aparentes e amarelo
forte na fauce. Existem poucas plantas de boa forma.
Nota para julgamento:
as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem
ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo dever ser
tubular com lobo frontal arredondado e colorido framboesa claro. Planta padrão:
“canhanduba Deschamps”
5 –
Roxo violeta
Sépalas e pétalas brancas ou levemente coloridas; labelo roxo com matizes azulados, com ou sem veias pronunciadas. Fauce branca ou amarelada.

L. purpurata var.
roxo-violeta Labelo da variedade roxo-violeta
Variedade típica de Santa Catarina muito conhecida como “aço”. Muitas plantas
dessa variedade foram encontradas em Itajaí, algumas de boa forma como o “aço
Crente”, “aço Clito”, “aço Palco”, etc.. Possui um colorido único, mistura de
azul com vermelho e inúmeras nuanças de colorido, com algumas plantas possuindo
labelo quase preto.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido roxo-violeta escuro fechado. Planta padrão: “aço Crente”
6 – Roxo-bispo
Sépalas e pétalas brancas ou levemente coloridas. Labelo com colorido roxo-bispo, isto é, da cor dos paramentos litúrgicos dos bispos católicos.

L. purpurata var. roxo-bispo “Deschamps 3” Labelo da var. roxo-bispo
Variedade típica de Santa Catarina onde muitas plantas foram encontradas. Poucas, entretanto, de forma razoável. Possui um colorido único, muito difícil de descrever. É um colorido rosa brilhante.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido rosa forte fechado. Planta padrão: “roxo-bispo Deschamps 3”
7 – Semi-alba
Pétalas e sépalas totalmente brancas. Lobo frontal do labelo purpúreo.

L. purpurata var. semi-alba “Gomes347”
Variedade de poucas plantas verdadeiramente semi-albas. A maioria possui um leve
sopro rosa nas sépalas. Muitas das antigas semi-albas, como a “Rio do Sul” e
“Antenor”, são na verdade “tipos” bem claros.
Alguns cruzamentos recentes estão produzindo flores de boa forma, muito superior às antigas semi-albas de mato. Principalmente as tetraplóides, possuem branco leitoso e labelo púrpura escuro, de grande impacto visual.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido púrpura escuro. Planta padrão: “semi-alba Gomes347”.
8 – Suave
Pétalas e sépalas brancas ou palidamente coloridas. O labelo apresenta colorido rosa suave, sem estrias coloridas.

L. purpurata var. suave “Sissi” L. purpurata var. suave “Gomes”
Variedade de poucas
plantas de boa forma. As mais conhecidas são “suave Sissi”, “suave Osmar
Tessmer” e “suave Domingos”. Alguns cruzamentos recentes estão produzindo flores
de boa forma, mas ainda necessitam melhorar muito. Algumas plantas de cruzamento
apresentam labelo rosa mais forte e se transformam em mandayanas, pois ambas não
apresentam estrias no labelo.
Nota para julgamento:
as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem
ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo
frontal arredondado e colorido rosa suave. Planta padrão: “suave Sissi”.
9 – Russeliana
Pétalas e sépalas
brancas ou levemente coloridas. Labelo com tonalidade rosa-lilás.

L. purpurata var. russeliana L. purpurata var. russeliana
“Donizete” Labelo típico da var. russeliana
Variedade típica de Santa Catarina, abundante na ilha de Santa Catarina até meados do século vinte. Foram descritas inúmeras “variedades”, que nada mais eram do que “russelianas”, com diferentes tonalidades de colorido. Até recentemente dividia-se ainda em concolores, semi-albas e rosadas.
Aqui sugerimos manter apenas uma variedade. Plantas famosas: “Íris” (RS), “Padre Vitus”, “Evilério”.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido rosa claro até rosa. Planta padrão: “russeliana Evilério”.
10 – Vinicolor
Sépalas e pétalas brancas ou levemente coloridas; o labelo apresenta a tonalidade de vinho tinto.

L. purpurata var. vinicolor “Donizeti” Labelo da variedade
vinicolor
Variedade de colorido belíssimo. Durante anos não teve representantes de boa
forma. Os cruzamentos entre a “vinicolor Seidel” e as “vinicolores Deschamps I e
II” produziram plantas de ótimas formas, mas ainda é uma variedade que necessita
ser melhorada.
Nota para julgamento:
as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem
ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo
frontal arredondado e colorido vinho tinto fechado. Planta padrão: “vinicolor
Donizeti”.
11 – Alba
Sépalas, pétalas e labelo totalmente brancos. A fauce pode apresentar colorido amarelo claro até amarelo-gema.

L. purpurata var. alba “MatoLeitão”
Variedade com poucas plantas de qualidade. Poucas matrizes encontradas tinham boa forma, como a alba “Palhoça”.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado. O branco deve ser puro com colorido amarelo suave ou forte na fauce. Planta padrão: “alba Mato Leitão”
12 – Concolor
Sépalas, pétalas e labelo com colorido homogêneo, podendo o labelo apresentar colorido levemente mais acentuado. Podem ter qualquer colorido desde que seja homogêneo nas pétalas, sépalas e labelo.

L. purpurata var. concolor
Raríssima variedade! Algumas russelianas são parecidas com essa variedade (russeliana concolor).
Nota para julgamento: não dá para se exigir muito nessa variedade. As poucas plantas conhecidas são de forma pobre. Planta padrão: “concolor Sander”.
13 – Rubra
Sépalas e pétalas fortemente coloridas. O labelo é rubro.

L. purpurata var. rubra
“Itajaí” L. purpurata var. rubra “Lapurpurata”
Variedade de difícil identificação pois confunde-se com a variedade “sanguínea.
Alguns defendem que seu colorido deve ser mais fosco, não chegando a ser
aveludado brilhante, como as sanguíneas. Em SC a mais famosa planta do mato é a
“rubra Santa Lídia”.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido púrpura escuro. Planta padrão: “rubra Lapurpurata”.
14 - Sangüínea
Sépalas e pétalas de colorido purpúreo sangüíneo. Labelo da mesma cor, porém mais intenso.

L. purpurata var. sangüínea “Nadir” L. purpurata var. sangüínea “Deschamps”
Variedade extremamente bela e chamativa. A maioria teve origem possui no RS. A mais famosa foi a “sanguínea Mentzi”. Hoje, como os cruzamentos existem várias plantas de boa forma. Quase todas são de floração tardia, abrindo quase no mês de dezembro. Seu colorido deve ser brilhante e deve ter textura aveludada. As sépalas podem apresentar estrias mais claras.
Nota para
julgamento:
as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem
ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo
frontal arredondado e colorido púrpura escuro. Planta padrão: “sanguínea
Deschamps”.
II) Categoria II — variedades classificadas pela forma do
colorido da flor
São aquelas flores em que o colorido forma desenhos na flor, independente do colorido, ou seja, as flores podem ter qualquer cor, o que define a variedade é a forma do colorido na flor e não a cor propriamente dita. São elas:
1 – Anelata
Apresenta na entrada da fauce um anel estreito bem demarcado, de um lobo lateral ao outro.
Caso o anel não circunde
todo o labelo a flor deve ser classificada como “multiforme”.

L. purpurata var. anelata Labelo da
variedade anelata
Variedade bastante rara. Não se conhecem ainda boas plantas de forma. Seu labelo
possui somente um belíssimo anel colorido onde as estrias são interrompidas. O
lobo frontal é branco.
Nota para julgamento: não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é de forma pobre. Planta padrão: “anelata Adams I”.
2 – Argolão
Semelhante a “Anelata”, sendo o anel mais largo e não tão nitidamente demarcado ocupando, no máximo, a terça parte do labelo.

L. purpurata var. argolão Labelo da
variedade argolão
Variedade bastante rara. Assim como as anelatas, não se conhecem ainda boas
plantas de forma. Seu labelo possui um anel mais largo e o colorido diminui aos
poucos, não sendo tão definido quanto as anelatas.
Nota para julgamento: não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é de forma pobre. Planta padrão: “argolão Bigns”.
3 – Áurea
Caracteriza-se pela interrupção das estrias na entrada da fauce, com intensificação do colorido amarelo. As flores “áureas” e “oculatas” devem ser classificadas como “oculatas”.

L. purpurata var. áurea L. purpurata var. áurea “Campeã 2003
Labelo da variedade áurea
Variedade que normalmente passa despercebida, sendo confundida com a semi-alba.
Possui um anel amarelo intenso na fauce, separando as estrias do colorido do
lobo frontal. A mais famosa das antigas ”áureas” plantas de mato é a “áurea do
Seara”. Alguns cruzamentos recentes estão produzindo flores de boa forma e
possuem branco leitoso, amarelo intenso, visível inclusive por fora do labelo e
de grande impacto visual.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O amarelo da fauce deve ser intenso O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido púrpura escuro. Planta padrão: “áurea Campeã 2003”.
Obs.: como a forma de colorido predomina sobre o colorido, a flor seguinte, “russeliana áurea”, deve ser classificada como “áurea”:

4 – Mandayana
Caracteriza-se pela ausência completa de estrias na fauce.

L. purpurata var. mandayana “Schmidt” 4N Labelo da variedade
mandayana
Uma das variedades mais suaves, com colorido sutil, sem a presença das estrias
marcantes da fauce mas com leves estrias e colorido muito suave no lobo frontal.
Poucas plantas encontradas na natureza. A mais famosa delas foi a “mandayana
Schmidt”, da qual descendem quase todas as mandayanas atuais. Junto com as
“albas” e “suaves” forma o trio de variedades que não possui estrias na fauce.
Alguns orquidófilos a consideram com desenho oposto à variedade “schroederae”
(que possui estrias somente na fauce, interrompendo-as no lobo frontal). As
plantas originais de mato sofriam de falta de substância e eram flores de
tamanho pequeno. Com a clonagem, surgiram plantas tetraplóides, de flores
grandes e bastante substância. Espera-se que os cruzamentos destas melhorem e
divulguem essa bela variedade.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e as mais largas possíveis. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido lilás ou rosa bem suave. Planta padrão: “mandayana Schmidt tetraplóide”.
5 – Marginata
Labelo com colorido
fechado, com nítido filete branco em toda a borda.

L. purpurata var. marginata
Variedade muito rara! Poucas plantas conhecidas. Normalmente é uma flor tipo que possui na borda do labelo (lobo frontal e lobos laterais) um filete branco bem visível e demarcado. Não deve ser confundida com algumas flores que possuem um filete branco muito fino. O filete deve ser bem visível e chamar a atenção.
Nota para
julgamento:
não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é
de forma pobre. Planta padrão: “marginata Domingos”.
6 – Multiforme
Labelo apresentando desenhos variados em seu lobo frontal, não podendo ser enquadrado em nenhum outro tipo descrito.

L. purpurata var. multiforme
Variedade que normalmente passa despercebida, sendo confundida com outras
variedades. Pode ser de qualquer cor, mas não deve se encaixar em nenhuma
variedade aceita. A flor exemplo é vinicolor e não se encaixa nas variedades
“oculata”, “marginata”, “reginae” nem tipo. Portanto, uma autêntica
“multiforme”.
Nota para
julgamento:
não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é
de forma pobre. Planta padrão: não há.
7 – Oculata
Apresenta duas manchas simétricas e opostas, bem separadas, nas partes laterais do lobo frontal.

L. purpurata var. oculata “Deschamps” Labelo da variedade oculata
Uma das variedades mais marcantes e chamativas. Poucas plantas e a maioria sem
forma técnica. A mais famosa oriunda de mato, é a “oculata da Pedreira”,
encontrada na região de Camboriú-SC. Com a clonagem surgiu uma planta
tetraplóide de tamanho, forma e substância muito superior. Infelizmente ainda é
uma das variedades menos melhoradas. Os “olhos” devem ser bem separados, pois
algumas plantas têm leve colorido entre eles (chamadas “falsas oculatas” ou
“semi-oculatas”) e devem ser classificadas com “multiformes”. Espera-se que os
cruzamentos melhorem e popularizem essa bela variedade.
Nota para julgamento: não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é de forma pobre. Planta padrão: “oculata Deschamps”.
8 – Reginae
Labelo apresentando em seu contorno uma orla branca bem visível bem como a metade inferior do labelo também branca.

L. purpurata var.
reginae “Deschamps”
Variedade muito rara! Descrita na obra de Krackowizer, Monografia da Laelia
purpurata”, de Ferdinand Krackowizer, de 1950, com a mesma descrição atual. É
uma marginata com a metade do lobo frontal também branco. Como a forma predomina
sobre o colorido, a planta da foto, de colorido roxo-bispo, enquadra-se na
variedade “reginae”. A planta mais conhecida é a “reginae Domingos”.
Nota para
julgamento:
não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é
de forma pobre. Planta padrão: “reginae Deschamps”.
9 – Schroederae
Labelo branco, apresentando somente estrias.

L. purpurata var. schroederae “Joca Silva” Labelo da
variedades schroederae
Variedade bastante rara ainda hoje. Referida como “schroederii” na “Monografia
da Laelia purpurata”, de Ferdinand Krackowizer, de 1950, contém a mesma
descrição, ou seja, a flor contém somente estrias no labelo, sem o colorido que
normalmente as acompanha. Algumas plantas conhecida são a “schroederae de
Corupá” e a “schroederae Joca Silva”. Esta última em alguns anos floresce com o
labelo levemente colorido e se transforma numa russeliana.
Nota para julgamento: não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é de forma pobre. Planta padrão: “schroederae Joca Silva”.
10 - Atro
O labelo deve apresentar colorido intenso em toda a sua área externa.
Essa variedade não predomina sobre as variedades “rubra” e “sangüínea”, quando estas também forem “atros” (exceção à regra.) Também não predomina sobre a variedade “flâmea” quando esta for “atro”.

L. purpurata var.
atro L.
purpurata var. atro
Uma das variedades mais atraentes quando as pétalas e sépalas são claras. Alguns
clones possuem labelo púrpura muito escuro, quase preto em toda a área interna e
externa. A variedade ainda possui poucas plantas e a maioria sem forma técnica.
Muitas não têm o labelo integralmente colorido por fora e são chamadas
erroneamente de “semi-atro”.
Espera-se que os cruzamentos melhorem e popularizem essa bela variedade. Já existem “atros” em outros coloridos como roxo-violeta e ardósia.
Nota para julgamento: não dá para se exigir muito nessa variedade. A maioria das plantas conhecidas é de forma pobre. Planta padrão: “atro Deschamps”.
11 – Flâmea
Apresenta colorido intenso nas pétalas, acentuando-se em direção à ponta das mesmas.

L. purpurata var. flâmea “Saci-pererê” L.
purpurata var. flâmea “Lapurpurata”
Uma das mais belas variedades! Bastante aperfeiçoada através de cruzamentos,
hoje possui exemplares com flores quase perfeitas. A imensa maioria descende das
“vermelhas” aperfeiçoadas pelo grande hibridador Walter Haetinger, de Porto
Alegre.
Nota para julgamento:
as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem
ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo dever ser
tubular com lobo frontal arredondado e colorido fechado. As pétalas podem ser ou
não estriadas ou coloridas. Planta padrão: “flâmea Lapurpurata”.
12 - Striata
Caracteriza-se pelas estrias nitidamente demarcadas na textura externa das pétalas.

L. purpurata var. striata”Laranjeira” L. purpurata var.
striata “Valentin”
Uma das mais belas variedades! Muito confundida com a variedade “flâmea”, pois
alguns cruzamentos produzem estriatas com muito colorido gerando confusão na
classificação. O ideal é que a flor tenha as estrias bem definidas contra fundo
claro. As estrias, de forma geral, são paralelas, no sentido longitudinal das
pétalas.
Variedade bastante aperfeiçoada através de cruzamentos, hoje possui exemplares com flores de excelente qualidade.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo dever ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido fechado. Planta padrão: “striata Laranjeira”.
13 - Venosa
Caracteriza-se pelas veias acentuadas
que apresentam os segmentos florais em sua textura interna.

L. purpurata var. venosa “Lapurpurata”
L. purpurata var. venosa
Muito confundida com a variedade “striata”. As veias devem estar localizadas por dentro das pétalas, como as nossas veias por baixo da pele. De forma geral, as veias são ramificadas.
Variedade bastante aperfeiçoada através de cruzamentos, hoje possui exemplares com flores de excelente qualidade.
Nota para julgamento: as sépalas devem ser largas, planas e igualmente espaçadas. As pétalas devem ser planas e arredondadas formando um triângulo com o labelo. O labelo deve ser tubular com lobo frontal arredondado e colorido fechado. Planta padrão: “venosa Lapurpurata”
Bibliografia:
-F.C.O. Regimento Interno da Federação Catarinense de Orquidofilia. FCO. Santa Catarina. Brasil. 2005.
-F.G.O. Regulamento Interno da Federação Gaúcha de Orquidófilos. FGO. Porto Alegre. Brasil. 2000.
-Gomes, Carlos. Grandes Matrizes – Laelia purpurata “Deschamps”. Brasil Orquídeas nº 7. São Paulo. Brasil. 2003.
-Gomes, Carlos. Laelia purpurata e seu melhoramento: as vermelhas. Brasil Orquídeas nº 3. São Paulo. Brasil. 2002.
-Hubner, Manfredo. Laelia purpurata. Mundo das Orquídeas nº 17. São Paulo. Brasil.
-Hubner, Manfredo. A Fascinante Orquídea Laelia purpurata. Mundo das Orquídeas nº 15. São Paulo. Brasil.
-Krackowizer, F. J. Monografia da Laelia purpurata suas variedades e seus híbridos. Círculo Paulista de Orquidófilos. São Paulo. Brasil. 1950.
-Menezes, L. C. Laelia purpurata. Expressão e Cultura. Rio de Janeiro. Brasil. 1995.
-Ribas, A. de Lara. Orquídeas Catarinenses. Florianópolis-SC. 1986.
-Sander, Aldomar E. A Rainha do Brasil Meridional. Mundo das Orquídeas nº12. São Paulo. Brasil. 2000.
FIM